Mapa astral

Há pouco tempo li uma citação que dizia: “Se uma semente não se desenvolve e não frutifica, devemos investigar o meio e não a semente”. O autor acredita que seja o cenário ao redor responsável por não oferecer condições favoráveis ao seu crescimento.

Não é raro que alguém não desabroche pelas interferências do meio em que vive. Tanto pode ser oprimido como deixado de lado, esquecido. Excesso de solicitações e expectativas, ou o contrário. Nenhum estímulo intelectual, espiritual ou moral.

James Hillman escreveu um livro delicioso chamado “O Código do Ser”, no qual defende que, independentemente das influências familiares e da demanda da geração em que você nasce, existe algo nessa semente, que é APENAS VOCÊ e que determina o modo como responderá às faltas de estímulo, à opressão e às expectativas grandiosas.

O mapa astral acompanha essa semente desde seu nascimento e não é raro que somente consigamos entender as limitações que uma pessoa se impõe quando conjugamos com o mapa do pai ou do irmão mais velho. Ou que possamos entender que os desafios apresentados pelo mapa foram vencidos porque o cenário ao redor foi realmente favorável. No entanto, não existe nada mais importante do que centrar o cliente na percepção dessa semente. Que frutos ela pode oferecer para o mundo, e quais as épocas mais favoráveis para que possa desabrochar.

A Astrologia reconhece as influências externas que fazem parte do dharma que a pessoa deve enfrentar. Mas, se ela se conhecer profundamente, encontrará instrumentos para SER e expressar sua identidade, independentemente do que acontece ao redor.

Existem muitos exemplos fáceis. Estruturas familiares doentes podem precisar de um “bode expiatório” ou de uma “vítima”. Piscianos podem ser facilmente escolhidos para cumprir esses papéis, mas em verdade, qualquer signo pode sofrer dentro de uma família disfuncional.

No entanto, qualquer trabalho de autoconhecimento ajuda a tomar consciência e sair desse jogo que não foi escolhido conscientemente pela pessoa. Vou recortar um trecho de um livro que talvez eu lance um dia, mas não é prioridade. Não cito a Astrologia no texto, mas o rapaz em questão é nascido em Aquário com Ascendente em Áries e Lua em Câncer. Sempre mexo nas histórias e introduzo ingredientes-componentes de outras histórias. Viver é uma experiência rica.

“Parece que em muitas famílias existe sempre o “protegido” e aquele outro que é “empurrado para o sucesso” e um terceiro que pode ser “esquecido”, seja para sua felicidade ou infortúnio. A surpresa é que os filhos protegidos e mimados parecem ficar atrofiados e a pergunta é se essa proteção era demonstração de carinho ou se era uma estratégia para que o “ninho jamais se esvaziasse”.

“Esse filho será fonte de atenção, morando com os pais e gravitando em torno deles por suas necessidades emocionais e financeiras. Muitos poucos conseguem se rebelar e sair dessa posição ainda na infância ou juventude e se não desaparecem no mundo, acabam tendo uma relação tensa com os pais, na qual a raiva vai sempre se manifestar dos dois lados. Os que se se recusaram ao papel de dependentes estarão fortemente armados contra qualquer nova tentativa dos pais e os pais estarão sempre criticando as opções e escolhas que eles fizeram por si mesmos, por inveja da potência e juventude dos filhos. Melhor mesmo ficar longe, mantendo uma relação cordial, sem chance de contaminação.”

“Luiza (nome fictício) veio me procurar porque seu irmão só tinha queixas contra ela. Mais velha, ela foi colocada pelos pais no lugar da “inteligente e bem sucedida” em tudo. Tocava piano, dançava, falava mais três idiomas e foi uma das primeiras mulheres a ocupar um cargo executivo muito alto no segmento profissional em que atuava no país.

O irmão, seis anos mais novo e de saúde um pouco frágil, ficou no lugar do filho martirizado por alergias e alguns acessos de asma que na vida adulta estavam sob total controle. A saúde mais frágil não o proibia de fazer nada que uma pessoa normal faça.

Mas, a doença da infância continuava sendo valorizada pelos pais que se colocavam eles próprios numa situação de tensão, dedicação e renúncias, o que não era necessário. Ele era apresentado e tratado pelos pais quase como uma pessoa com necessidades especiais, mas isso só acontecia porque os pais precisavam de alguma maneira justificar a importância deles próprios. O irmão de Luiza, para sobreviver, mudou de país e rompeu com toda a família.

Luiza, revoltada, não conseguia se colocar no lugar do irmão, embora reconhecesse a manipulação dos pais. Pedi que ela respeitasse a decisão dele e que não o procurasse durante algum tempo, já que me parecia o único modo dele poder respirar tranquilo (aqui vale a piada) e descobrir quem ele realmente era. Para encher os pulmões de vida própria, só mesmo longe da família!”

Eu continuo acreditando em amor, casamento e família, mas em qualquer núcleo temos o luminoso e o sombrio e algumas estruturas familiares são doentes, limitadoras ou destrutivas.

“Você nunca será capaz de se encontrar se estiver perdido em outra pessoa.” – Colleen Hoover

“A honestidade é o primeiro capítulo do livro da sabedoria.” – Thomas Jefferson

“A melhor coisa do mundo é saber pertencer a si mesmo.” – Michel de Montaigne

“Conhecer a si mesmo tem muitas camadas. Comece a conhecer seus desconfortos corporais. Conheça o seu sucesso, conheça os seus fracassos. Conheça seus medos. Conheça suas irritações. Conheça seus prazeres, alegria e felicidade. Conheça suas feridas mentais. Vá mais fundo e examine cada sentimento que você tem.” – Amit Ray